sexta-feira, 4 de agosto de 2017

COM VOCÊS: A CENSURA

O ano era 1969 e o mês Setembro no dia 24. Eu cheguei ao mundo no hospital militar da base aérea de Natal. Berço dos milicos estadunidenses no auge da ditadura e da segunda guerra mundial. É claro que eu me recordo desses episódios por ouvir falar da parte de minha vó, Josefa Maria, que trabalhou na lavanderia dos milicos, assim como funcionária civil. Ela contava que os jovens recrutas eram muitos quando estavam passeando pelo centro da então pequena cidade de Parnamirim, palavra tupi-guarani que quer dizer "rio pequeno". Muitas moças da época foram seduzidas pelos recrutas, alguns americanos e outros tantos muito mentirosos. Algumas dessas garotas conseguiram "bons casamentos" com os recrutas. Isso quer dizer que com a falta de perspectivas na cidade levava as famílias a desejarem que suas filhas fossem esposas de militares e que tivessem uma vida melhor. Essas coisas vó ia me contando e eu mesmo sem compreender a dimensão dessas prosas enquanto registro  histórico. Por aqueles dias ouvi em um rádio desses pequenos à pilha sobre a morte do Elvis Presley, cantor e ator norte americano que eu conhecia dos filmes. Lembro-me da BR-101 que liga a região Nordeste à região sul onde eu vi muitos velhos hippies passando com suas mochilas cheias de aventura e rumo ao horizonte da liberdade.  
Na TV eu via o informe da "censura federal" antes de cada programação dando a liberação com a classificação etária destinada. Algum tempo depois, na escola eu acho, ou se não foi na sala de aula, foi nas conversas com os amigos, vim a ter consciência do real significado daquele informe.  
É bom que se saliente o nível de alienação sofrida pelo povo em qualquer regime político. No meu caso de minha família, o respeito e a obediência, eram totais aos normativos e regras que eram impostas. 
No caso aqui explicitado podemos concluir que os acontecimentos históricos nos invadem e perpassam por nossa vida mesmo que nem nos dermos contas dos reais acontecimentos. Invadindo nossas vidas sem nos pedir permissão...

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