domingo, 30 de julho de 2017

TERAPIA - ALMOÇO EM FAMÍLIA

"O pato pondo e ele quebrando". O papo se transforma em piada e as piadas inflamam a sede. Desta vez é o suco e o sagrado refrigerante que se destacam. Primos, tias, netos, a raça quase toda ajuntada e sobrevivendo aos obstáculos e abismos da vida. 83 é a idade da mais velha. Cinco é a idade do mais novo. Mariquinha e Neto. Gerações que se cruzam e nem por isso percebem-se dentro do instante de suas finitudes. Os momentos são super-preparados com a sutileza de um pedreiro maduro. Não pode haver vaidade apenas o momento. Enquanto saio para comprar frango fresco e quiabos em outra parte da vida também são preparados os espíritos para o grande encontro. Panelas estão indo para o fogão com arroz, feijão, macarrão, coxinhas de frango para assar e os molhos. todo um arranjo familiar para comemorar uma parcela da vida juntos e em comunhão. Logo vão chegando, aos poucos, felizes, falando alto, abraços e sorrisos se espalham pelos cantos da casa e no quintal na varanda feita recentemente para servir de acomodação para eventos dessa magnitude. Todos chegam definitivamente, as panelas desfilam da cozinha para uma área aberta, na varanda, no quintal, aonde todos se ajuntam e vão arrumando os seus pratos, cheios, fartos, refrigerantes e sucos bailam no ar em copos de alumínio e plástico. todos estão almoçando agora. O silêncio é quebrado pelo toque de um telefone - alguém está chegando, mas vai demorar um pouco - todos conversam trivialidades com suas panças cheias e discutem quem será o dono da louça. Voluntários - mulheres - tomam a dianteira e sentem-se prestativas enquanto os homens descansam suas soberbas masculinas. É preciso sair. Os retardatários finalmente chegam e são saudados com entusiasmo e amor. Logo estão, as panelas, de volta ao fogão sendo aquecidas e os refrigerantes descem dos freezers voltando ao baile e a mesa transforma-se em mais uma banca de gargalhadas e harmonia. Mas é preciso sair. Despeço-me deixando uma parcela de paz e todo o resto que não combina com o momento, mas que está encrustado em seus olhos tristes. Sejam felizes. O espetáculo deve ser reproduzido sempre. Sempre. 

Nenhum comentário: