segunda-feira, 1 de maio de 2017

VENDE FRANGO-SE / A visão do homem da placa - Texto para trabalho da disciplina "prática de Leitura e produção de textos" 2017, UFRN

Nota: Este texto encontra-se no seu original no endereço (http://revistadonna.clicrbs.com.br/coluna/martha-medeiros-vende-frango-se/) de autoria de Martha Medeiros.

       O mercadinho estava lotado naquela manhã de feriado. Todas aquelas pessoas esperavam por seu Daniel que era o responsável de entregar o frango abatido no mercadinho de seu Luís Caldas, adorável morador e comerciante do bairro Planalto, que entre uma piada e outra amenizava com seus fregueses a espera por seu Daniel. Sua esposa recostada mais para o  lado do estabelecimento apenas ia despachando as miudezas e como ficava no caixa fazia a cobrança, passava o troco e embalava as mercadorias e ainda tomava nota no caderninho de fiados.  O mercadinho era pequeno e bastante simples, tanto que seu Luís Caldas vendia o frango em cima de uma mesa posta do lado de fora na calçada bem em frente do mercadinho. Ali todos os clientes esperavam com ansiosidade a chegada do frango fresco. Seu Luís Caldas possuía uma balança dessa antigas de marca Filizola, vermelha, que marcava apenas de cinco em cinco quilos até o limite de vinte. Todos confiavam em seu Luís Caldas que era uma pessoa simples, bem humorada, semi-analfabeto, mas virtuoso em suas contas feitas de cabeça. Diz-se assim das pessoas que tem facilidade de realizar com agilidade impressionante problemas aritméticos. Só quem usava a máquina calculadora era sua esposa e mesmo assim ela costumava perguntar, aos berros pra Luís, o quanto deveria passar de troco naquela situação e assim se fez a fama de matemático nato do simpático comerciante. Na parede da frente do pequeno  comércio pintados na parede estavam as propagandas das mercadorias e de algumas promoções, tudo feito com muito carinho por seu Luís Caldas. Tinha de tudo ali, farinha, macarrão, feijão e arroz; verduras e frutas só algumas da promoção, naqueles dias era a vez da manga e da goiaba; bebidas em geral eram tratadas mais internamente e assim também as miudezas. Mas uma placa chamava a atenção de uma moça. Na placa estava escrito: "VENDE FRANGO-SE". Enquanto esperavam por seu Daniel com os frangos só esta moça percebeu e incomodada com o grotesco "erro" adentrou o mercadinho e foi-se ao seu Luís Caldas com ar de gracinha questioná-lo e corrigi-lo antes que este caísse em constrangimento por ser, então, alvo de piadas e galhofas do povo. Surpresa foi a resposta de seu Luís caldas quando, por esta jovem e bela moça, foi questionado, disse ele: Meu bem, veja você que tenho esta plaquinha ali bem pendurada na parede faz uns dois meses e somente duas pessoas com você me vieram questionar sobre o meu "erro". Você é professora? Perguntou o seu Luís Caldas sorrindo enquanto observava que a kombi de seu Daniel chegava com os frangos. Ela prontamente respondeu que era e que não queria constrangê-lo e por isso esquecesse o seu atrevimento. Ele saindo do estabelecimento, passou por ela e foi explicando o motivo de escrever o que escreveu e como escreveu. Daniel descarregou os cestos com os frangos dois embaixo da mesa e um em cima. Arrumou a balança, aferiu com seu peso de bolso e deu o aval para seu Luís caldas que foi pedindo a todos que se organizassem em uma fila pra facilitar o atendimento. Enquanto despachava os seus clientes foi explicando pra professora a sua intenção ao escrever a placa. Seu Daniel lá dentro do mercadinho anotava em um bloquinho a quantidade de quilos que trouxera naquela manhã entregando-a à esposa de Luís "hoje ele tá é falante" disse ele. "ah, essa é uma estória que ele insiste em contar pra mim, mas sempre se lastimando por que ninguém percebe outra coisa que não o tal do "erro" da placa" disse a esposa. Continuava seu Luis Caldas despachando e falando... "e quando eu terminei de pintar a plaquinha de madeira de branco, viu professora, resolvi eu mesmo abrir o letreiro e fui procurar nos livros antigos que eu guardo lá debaixo da pia na garagem e achei num justamente o que eu queria, que era chamar a atenção dos sabidos, e com isso vender meu peixe, quer dizer meus frangos, pois veja, professora, num é que vem dando certo não sei se é por causa da placa, mas eu vendo todo dia três balaios desses. Num é uma beleza?  Me diga quantos quilos quer? A sorridente professora foi atendida e partiu encucada com a leveza da nossa linguista e a riqueza de criatividade de nosso povo tudo muito envolvido na ousada história de seu Luís Caldas, simpático e adorável comerciante do Planalto, lugar de gente comum, que toca a vida e enquanto toca vai cantando: VENDE FRANGO-SE, VIVE-SE, AME-SE, DESVIOLENTIZE-SE,      

CLT - Em Obras (até revogação completa)


       É fato. Há uma necessidade gritante de readequar a legislação trabalhista aos novos moldes do trabalho no Brasil. Desde sua instituição, em 1943 no governo de Getúlio Vargas,  a Consolidação das Leis Trabalhistas vem sofrendo ataques por parte dos grandes empresários que veem nesta carta um atraso e desvantagem para suas práticas puramente capitalistas. Pequenas reformas foram feitas ao longo de sua vida. O acelerado mundo virtual faz eco neste processo de mudanças e readequamento logístico. Entretanto, com as propostas recentes por parte de parlamentares inescrupulosos e envolvidos em escândalos de corrupção como o senhor relator, Rogério Marinho, acusado de desvio de dinheiro em empresas de terceirização que levam seu nome, comprometem as tão necessárias observações. O que está ora posto com o texto apresentado é o que disse o presidente do Partido da Causa Operária Rui Costa Pimenta que também apresenta um programa semanal exibido aos Sábados chamado Causa Operária TV, onde destacou o verdadeiro desastre das intransigentes reformas propostas ao compendio de leis trabalhistas: 
"A terceirização coloca o trabalhador em nome de empresas fictícias, que não têm patrimônio e podem desaparecer do mapa deixando centenas de trabalhadores sem pagamento e sem nada. Tudo isso ai é negativo, inclusive algumas pessoas tem falado isso, a ‘terceirização é a revogação da CLT'”.

Mas a grande questão da terceirização, que está por trás de tudo, é que ela acaba com os sindicatos".

       O fato é que estamos, querendo ou não, alimentando o processo de um golpe instituído nas fileiras do retrocesso histórico nas leis que garantem um mínimo de dignidade e que condenam milhares de brasileiros ao regime de escravidão. Não podemos espuir simplesmente este momento crítico que atravessamos. Urge uma mobilização das bases de todas as camadas sociais, dos setores, dos movimentos sociais, dos estudantes, das classes trabalhadoras, tal como nunca vista nesse País. Um levante popular estratégico e articulado capaz de romper com os poderes midiáticos e empresariais que, como abutres famintos, pretendem dilacerar as ruínas restantes do povo brasileiro, digo povo, sim, porque somos um povo com características próprias e voltados para a luta. "Nenhum direito a menos"; Fora Temer.