sábado, 18 de outubro de 2014

NUNCA PENSEI QUE SER ESCRITOR FOSSE tão DIFÍCIL

Li alguns livros em minha trajetória de vida. Poucos, confesso, e que me inspiraram a levar uma vida despretensiosa, sem alarde e nem ambição. Poucos conseguem entender o que se passa na mente de um vagabundo. A sua antipatia com a vida convencional, com as regras, com o ter que ser, essas coisas. Nada agrada. E ao mesmo tempo o que agrada não é convencional. Então pensei que escrever fugisse do padrão... mas foi não, é preciso adotar as regras e o padrão do sistema. Como nunca fui muito de rotular minhas palavras, esqueci, apaguei isso de minha memória e me pus a procura de algo que me enchesse o ânimo. Encontrei numa escola marginal as sombras de uma estrada e resolvi adotá-la em minhas experiências. Ainda ando na estrada... descobrindo suas curvas, atalhos, desvios esburacados, dilemas e mentiras, suas utopias... em fim, encontrei meu horizonte. Mas o horizonte é vasto... preciso explorar ao máximo. e vou devagar... sem avançar os sinais... as é preciso... e avanço sem medo... a merda está em ter medo. E na prática. Praticar é a aula do descobrimento.   

TODAS AS SEXTAS FEIRAS SÃO ÚNICAS.

Não foi a minha surpresa ao ver pessoas cedinho exercitando o corpo, prontas para o trabalho, outras tantas que não ás vi e o horário dos carros alternativos públicos que passaram mais cedo. Estou indo a Pirangi, praia do litoral sul, urbana e bela. Vou caminhar e fazer o que mais gosto atualmente, relaxar  nágua. Mas pra fazer justiça ao que vi da Sexta é preciso explanar um pouco sobre a Segunda e a Quarta, dias que me dedico as caminhadas. A Segunda é solitária e lenta, aos serviços ela se mostra hostil e uma verdadeira madrasta. As pessoas pendem nas paradas, cochilam dentro dos ônibus, dentro dos carros, exalam indisposição, há um fardo diabólico lançado às Segundas. Às Quartas feiras mesclam uma falsa ilusão em duas vias: Uma via experiencia a semana propriamente dita, sim, ela começou. E uma segunda via, a Quarta Feira, anuncia o prelúdio do fim de semana. Agora faltam apenas dois dias, e essas pessoas acordam cedo conscientes de uma rotina implacável que com a aproximação da diversão torna-se apenas um detalhe, o dia é estranhamente visto como outro obstáculo já meramente cumprido e superado. Este dia se torna o melhor. Temos futebol na tv, nos Estádios a plebe se inflama. E assim eu penso que a Quinta é um pré orgasmo do que vamos ver na Sexta Feira... A Sexta Feira acorda sob a esfinge da aurora musical em Pink Floyd  Atom Heart Mother (http://youtu.be/-C3bxQ06Kpg)  com as pessoas espertas e ouriçadas aos celulares, agendam suas loucuras, atrasam-se nos horários do trabalho, correm mais, caminham mais, entregam-se a magia do fim que antecipa o início do final. desfilam mais seguras, conscientes do dever cumprido. Correm nas praias, trabalham com mais produtividade, o dia parece que é mais curto, é uma energia alucinógena, crianças pulam da cama e correm para o rio, com seus cães, pais desfilam orgulhosos com seus filhos ao colo, beberrões negociam as próximas latinhas, cães cagam na beira da praia, a praia seca cedendo o caminho ao rio, e enxergamos mantas de areias, pequenas ilhas dentro do mar, que logo desperta com o sol em suas costas e abraça o rio novamente... em um gesto carinhoso e selvagem... e aos beijos doces e salgados desfrutam e nos deixam desfrutar desse encontro Mágico e Salvador...Como viver esse quadro? Encontramos a Sexta Feira no paraíso do Nordeste... na praia de Pirangi... No Rio Grande do Norte.