sexta-feira, 20 de outubro de 2017

02:18

Meus dedos. Eu ouço a madrugada perfeita estranha. Não posso rezar hoje. 
Meus dedos.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

UM DIA DE PAZ COM SEU MONSTRO DE ESTIMAÇÃO

despejei veneno pela casa...
os insetos chegaram para a festa...
sentamos no sofá...
comendo pipocas de micro-ondas
e ligamos a tv
Domingo de mio dia
o veneno era o suficiente
Maradona batia um bolão
e o café esfriava no fogão
o sol lá fora
e nós aqui...
trancados quase sem ar
as bolinhas brancas desfilam pelo teto
são nossas amigas
enquanto alguém liga


Muddy Waters - Live Dortmund, Germany 29/10/1976

eu desligo a tv
e corro pro banheiro trocar o cartaz da festa
agora é uma sessão de jazz e blues
Domingo de tarde
o sol sumindo
e as velhas amizades envenenadas 
sempre com pipocas de micro-ondas

DE COSTAS EU TE AMO BEM MAIS

Nos nossos tempos atuais em que a porra da velhice se apoderou das velhas histórias eu encontrei Linda, uma dessas caçadoras de aventura. Sua estrela era mesmo de liberdade e seu sorriso me abraçava com o tesão de uma adolescente. Eu estava mesmo sem sexo naqueles dias. Ansiava por uma coroa de cinquenta anos que morava do outro lado da ponte e não vinha tendo tempo bom com a saúde, coisas nos ossos e embaixo no pé. Uma tarde ou talvez tenha sido mesmo em uma dessas manhãs despretensiosas, eu fuçava as redes sociais, lançava as redes na rede. De repente um convite de amizade. Eu estava tentando convencer uma ex amante casada a sair comigo para um almoço em um motel, quando Linda se jogou no meio da conversa. 
Parei por uns instantes e fiquei passeando pela sua rede social. As fotos que vi eram agradáveis, uma mulher branca, sorridente, pra mim se a mulher tem foto sorrindo ela tem histórico de foder bem. O que deve ser uma verdade. Demorei um pouco pra aceitar seu convite de amizade. Mas a tara era bem maior que o medo e o maldito orgulho. Ficamos de conversa mole um tempo. Queria saber se ela era conhecida dessa tal amante casada, mas ela se mostrou apreensiva, logo saquei que não era. Na verdade ela perguntou se eu era casado e quando eu disse que não era ela fez justamente isso "Uuuuu"  eu sorri e compreendi que eu estava sendo caçado. QUE MASSA.
(...)

sábado, 7 de outubro de 2017

SEM SALVAÇÃO

Estava lendo um poema do velho safado "ninguém além de você" e acho que esse poema não me ensina porra nenhuma. Primeiro que eu não preciso de salvação. Depois que o que eu sou nem eu mesmo sei. Acho esse poema uma bosta. Parece auto-ajuda. E esse papo de ajudar a outro é duvidoso demais. Ninguém se importa com o outro. Uma coisa é eu aqui sem nada pra fazer e sem ninguém pra me encher o saco, a outra coisa é eu aqui e ter que me rebolar para uma pessoa que nunca estendeu a mão nem para me empurrar na frente de um carro. Todos andam afogados em suas desilusões e torturas individuais, nem servem de adubo, nem servem pra destruir.

NOSSO PLANO DE SAÚDE

meus dedos trêmulos coçando a cabeça cheia
meus dedos trêmulos 
inchados pelo álcool consumido com prazer
meus dedos trêmulos
imigrantes em minhas mãos vacilantes
as mãos de um homem triste
as mãos de um desgraçado 
meus dedos trêmulos esticados ao vento
desconfigurados e sem cor 
a cor que antes era da vida
hoje remete ao fim
um fim delicioso
sem dor e sem medo
aonde o destino
será o rei da senzala e a solidão sua rainha
amo essa desgraça
que seja ela sempre a minha realidade
eu sinto muito nunca ter sido o melhor homem
mas meus dedos trêmulos insistem
em ser cada um seus amigos viciados
em cada garrafa de bebida sem fim
é como se a vida fosse uma base líquida
ninguém tem nada com isso.
A bebida que eu bebi
envenenada a minha alma
foi a sorte de uns poucos
e a falência de tantos outros.

NOSSO DIABO CORTEZ

NOSSO DIABO CORTEZ



um brado apenas
submerso 
noutra voz pequena
bem somos 
reflexo
espelho desfeito
encoberto
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Quem realçou o Deus da vida
é impossível não coabitar com esse ser
Parece que quem quer que seja
homem, mulher ou bicho
quer ser um com esse ser
é no mínimo curioso
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tive medo de acordar dentro de uma caixa fechada
sem ar
e todos ao meu redor 
comentar
morreu
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as palmas estendidas
reflexo de uma não vida
os calos
a sujeira
as unhas sujas
sempre 
causando 
---



TODO MUNDO ODEIA O LULA - SÓ QUE NÃO

Quem foi que disse que bala de rifle não mata ninguém? 
Quem disse isso está redondamente enganado. Por isso devemos saber bem, pelo menos duas coisas: Saber que bala de rifle mata é uma delas e a outra é saber ouvir bem as pessoas. Imagine se eu não parasse para prestar atenção nas palavras de um professor que me diz claramente que a terra é plana e não mais esférica e redonda como antes, ou se eu apenas não desse mais atenção aos dogmas me nos são impostos pelas instituições religiosas? Ou que um partido político, qualquer um, surgisse como o salvador da pátria em tempos de crise? Pois bem, se eu não paro em frente ao semáforo e presto atenção as cores que me avisam do perigo, das regras que devo obedecer, eu certamente causaria um acidente. Portanto é deste modo que devemos saber ouvir as pessoas, as instituições, e principalmente as estrelas.