sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

TEMPO PRECIOSO

Sabe, eu garanto que nem percebemos o tempo passar, mesmo que fiquemos olhando as nuvens lá no alto ou mesmo que fiquemos buscando entre as estrelas, em uma noite fria, um precioso olhar, este gentil intrometido, vem conseguindo com seus tentáculos, nos abraçar. Mas como poderemos desfazer este abraço? Como enxertar em seu caule uma outra seiva, capaz de resgatar sua essência ou simplesmente transformar? Nem que eu passasse a creditar aos meus poucos neurônios, os que conseguem funcionar, o esforço de assistir todos os filmes de "Máquinas do Tempo" ou me bitolasse com contos de fada extraídos de livros históricos. Mesmo assim, eu garanto que seria quase impossível. Quem sabe eu tente, um dia, quem sabe. O que é mesmo inusitado de pensar é neste imenso complexo de teorias variáveis e contraditórias, como sendo fácil decifrar seus códigos, suas performances, seus sotaques, todos os meios sombrios e secretos de seu pleno existir. Um absurdo. Talvez quando nos prendermos a uma arte, pela história de seus artistas famosos ou menos sociais, seus monumentos, talvez, tenhamos um pouco do que o tempo nos negou, só que, ainda estaríamos no presente, e este tempo no presente é visto como pouco, lento e eterno, aos que nele estão. Nem os sonhos conseguem mapeá-lo. Um avião que cai. E num piscar de olhos, foi só um sonho. O dia de ontem. E num simples abrir de olhos, nada há. Então, quem se beneficiou com a histeria a que esta regra se impôs? O que podemos desconfiar, mesmo de dentro de cada casulo particular, sem dúvida, é que deve existir um projeto de controle científico com o objetivo de se apropriar do seu poder. E este, sim, tem sido o alvo de muitos pensadores e cineastas. Bem, mesmo que o holocausto da história seja um pontinho imaginário no horizonte do universo, nos resta apodrecer enquanto respiramos, comemos e dormimos. E assim vamos nos desnudando das penugens primitivas, fingindo acreditar em alguma coisa, mesmo sabendo que os pés ainda pisam no mesmo lugar, e de qualquer forma, precisamos aproveitar. Ou nada disso valeria a pena. Não é, para isto, preciso render-se aos primeiros tentáculos sem uma devida inquietação, A inquietação nem deveria ser a bola da vez, o mapa do seguro social só carece de compreensão e desapego. 

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