segunda-feira, 25 de setembro de 2017

NADA DEU CERTO - NADA

Aos poucos anos de vida que já vivi. 
Uma dor escorre do meu olho em um precipício flamejante e inóspito. Feito um corredor de hospital. 
Quem segura as pedras que despencam no desfiladeiro, no barranco, 
é como costumamos chamar. 
As pedras carinhosamente cumprem seu papel e não podem voar. Elas não podem cantar. E se cantam ou desfilam sob o espelho dàgua é por que lhes foi dado uma dinamite em seus sonhos mais promíscuos. Sonhos. Eu não quero sonhar. 
Uma cortina é o que são os sonhos. Uma cama encharcada de lama é o que são os sonhos. Prefiro me embriagar agora. Chorar minhas pedras. Enormes pedras que destruí dentro de mim. A civilização me destruiu. As dores surgiram depois que eu me tornei um civilizado. Deveria ter seguido meu caminho... Inútil e desgraçado, hoje teria menos complicações. Mas resolvi desafiar minha estrela de Davi, seja lá o que for isso, (sempre quis escrever isso). Detesto os que sonham... amo desesperadamente os que se perderam dos seus sonhos reais... que mendigam suas vidas e respiram sem precisar de força...
são nossos fracassos que nos enchem de força
são nossos demônios que nos erguem sempre pela manhã 
famintos
sedentos 
em destruir outra manhã dos pássaros cantando
dos corações apaixonados
dos cordeiros da salvação
danen-se seus filhos da puta
vou brindar na profundeza do Hades com suas mães 
e gozar meu sangue dentro de suas vaginas 
mesmo que eu seja condenado
mais um demônio enfim...
serei eu finalmente.

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