domingo, 16 de julho de 2017

LUZES DE UMA PEDRA

        As cordas de uma viola sustentando o rapel de um entre tantos sonhos apaixonáveis. Se um conto fosse preciso para explicar toda aquela magia teria que ser escrito em  forma de levitação como a bruma. A montanha soube nos recepcionar naquele dia (como sempre)... com aquele típico nevoeiro londrino noturno. Quem não se encantaria com aquela recepção e não ousaria querer morrer ali, ensaboado de paz? 
     Toda aquela estrada enferrujada de borracha no asfalto me conduziria aos lugares altos, onde todos os nossos monstros sentiriam vergonha, desistiriam de incomodar e restringiriam-se aos seus calabouços fétidos. 
          Ninguém queria morrer ali, é bem claro isso para mim, até por que naquela montanha o bom é viver. 
           Realmente nos levantamos cedo antes daquela viagem iniciar, eu teria dormido com minha amada na noite anterior e como o combinado para a saída era em casa de mãe, então, havia planejado ir de trem mas a aventura começou com uma carona numa camioneta de um amigo. E fomos discutindo o desfecho das sacanagens políticas do momento. Rolou uma mala com 500 mil, um áudio planejando um assassinato, o Brasil dos corruptos sendo desmascarado. 
           Paulo passou na hora combinada. Fomos pegar o André em seu apartamento. Logo estávamos na estrada. Rumo à Paraíba. Fomos por Goianinha. O cara das fotos, o Joca, não pôde ir conosco, mas iria no dia seguinte. O clima estava muito agradável e a paisagem toda verdinha dentro do sertão nordestino. Pude observar que o gado estava mais abundante nesta época. Solto na pastagem verde e menos nas cocheiras, sinal de economia e hora de investir. Passamos antes em São José de Mibibú  para uma aulinha de inglês. Paulo tem essa profissão, professor de inglês. Enquanto Paulo se deliciava com seus alunos, eu e o André fomos zanzar pelas ruas. Compramos batata doce numa banquinha no meio da rua. Depois jogamos conversa fora bebendo uma saborosa água mineral. O tempo passou e logo Paulo deveria estar livre do seu ofício, resolvemos ir caminhando ao seu encontro. Passamos por um beco bem no centro da cidade. Um beco que mais se parecia com uma rua. Do lado de uma loja de material de construção, era caminho, e resolvemos ir. Logo tinha uma espécie de portão de ferro, estava muito enferrujado e era da altura do muro. Não vi cadeado e deduzi que a passagem era normal. Talvez um atalho antigo entre as ruas. Hoje quase abandonado. Quem sabe alguns viciados se utilizem daquele beco nas madrugadas, quem sabe. Ficamos encantados com a paisagem suja, muro sem reboco, chão estragado, não vi indícios de drogas pelo chão, André tirou algumas fotos de uma parte do muro que ficou escondida por uma folhas de bananeira. Acho que tirei uma carona numa dessas. Saímos do beco e dobramos a esquina. Lá estava o Paulo manobrando seu Defender. Esperamos sua aproximação e pulamos para dentro.   











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