segunda-feira, 17 de abril de 2017

O DRAMA DE UMA SOCIEDADE INVISÍVEL

Um passo dado é um passo rumo à novidade. O dia que usualmente dedicamos para refletir sobe o flagelo social das pessoas invisíveis, as excluídas da sociedade, é o dia 19 de Agosto, mas bem podemos discutir esse assunto sem esperar Agosto. Lembro que na cidade aonde moro o sistema de Assistência Social mantinha um serviço de limpeza étnica todas as semanas com os moradores em situação de rua. Acontecia mais ou menos assim, durante toda a semana a prefeitura alimentava e dava guarida para os necessitados, mas no fim de semana os assistidos eram convidados por livre e espontânea pressão à subir em uma Kombi e ser transferidos para outras praças em outras cidades, de preferência nas cidades circunvizinhas. Aqui está caracterizado um crime. A sociedade hipócrita desfila sua monstruosidade pelas ruas e não quer ser ofendida com imagens de pobreza e sujeira. A invisibilidade dessas pessoas é um atentado aos direitos humanos. Onde todos os seres humanos devem ser respeitados e devidamente lhes garantido liberdade de pensamento e de expressão e igualdade perante a lei. Segundo o IBGE cerca de 1% da população brasileira vive em situação de rua. Estas pessoas invisíveis transitam pelas praças, viadutos e marquises se virando como podem para construir sua cidadania. As políticas públicas que voltam-se para esse público ainda estão muito a mercê de uma decisão política do que propriamente de uma construção social e de direitos iguais perante as leis. Em Natal entre os anos de 2007  e 2008 foram identificados pelo MDS Ministério do Desenvolvimento Social aproximadamente 223 pessoas em situação de rua.  O que representa para a sociedade uma estatística inanimada em uma pesquisa, esconde um câncer social. Quando nos encontramos com o estatuto dos direitos humanos conferimos suas noções básicas de proteção e cuidado atribuídos a deus. Uma questão é de suma importância neste ponto, a que deus se refere este estatuto? Como sugestão pessoal não torno necessário esta discussão. Voltemos aos nossos problemas reais. Os invisíveis estão sempre conosco, entre nós, infectados por nossos preconceitos e por nosso desprezo. A única via que eu conheço que não há mão dupla. Entretanto eu seria um hipócrita se não mencionasse o serviço voluntário  de grupos de assistência como os grupos de ongs, igrejas, voluntários anônimos, e tantos outros. Neste caso, o que é notório, verifica-se apenas que tais grupos apresentam-se como canais emergenciais, que sanam a fome, mas não sanam a desgraça. O que é desgraça para uma sociedade condicionada a criar rótulos para as pessoas se torna uma fuga para os "caridosos" expurgar seus demônios. O que fazer? Pois é. Todas as ações que de alguma forma contribuem para amenizar os sintomas deste câncer são de uma dignidade louvável. Os pontos internos que considero como os interesses pessoais, o que move cada pessoa a este gesto de solidariedade, seja por que motivo for, não deve ser levado em consideração. Assim, se é uma doença terminal, se é uma  doença tratável ou muito rara, não nos permitimos tecer uma crítica destrutiva e ao invés disso, aí sim enaltecer tais atitudes. Façamos dos nossos desafios diários um por excelência. Cuidar do outro.    







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